QUAL O EFEITO DE ENSINAR (MICRO) ECONOMIA?
Luís Meloni e eu resolvemos fazer um experimento sobre o efeito do nosso curso de "Princípios de Microeconomia" sobre as crenças dos estudantes sobre vários temas relacionados à economia.
Esse é um curso introdutório para estudantes que, em geral, acabaram de ingressar na graduação de economia. É a primeira vértebra, por assim dizer, de uma coluna de cursos que ensinam teoria econômica.
DESENHO
O desenho é bem simples. Comparamos a distribuição dessas crenças depois do curso com a distribuição antes do curso -- digamos que essa diferença seja "D-A (com curso)".
Fazemos a mesma investigação com estudantes que não fizeram o curso. Essa diferença -- digamos que seja "D-A (sem curso)" -- nos permite saber a mudança nessas crenças atribuíveis a tudo que acontece ao longo de um semestre da vida universitária desses estudantes e que nada tem a ver com o curso.
Uma estimativa do efeito do curso seria medida então pela diferença entre "D-A (com curso)" (tratamento) e "D-A (sem curso)" (controle) -- o que a gente chama de "diferenças-em-diferenças".
PRELIMINARES
Vai levar um tempo até construirmos uma boa amostra. Mas alguns resultados preliminares das estatísticas de algumas respostas já sugerem -- na olhadela -- que o curso tem efeitos interessantes.
Nas figuras abaixo, por exemplo, a concordância com a ideia (i) de que é "injusto" o preço subir depois de um desastre e a ideia (ii) de que o salário mínimo é inofensivo para o nível de emprego dos mais jovens parece ter sido significativamente afetada pelo conteúdo do curso.
Ufa! Ainda bem.