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Você vai ficar feliz se mudar de emprego?

18 Fevereiro 2026

Maria era advogada e tinha seu próprio escritório. Estava insatisfeita. Mudou de carreira e foi atuar como analista política e vender cursos. Hoje fatura muito mais. Está mais feliz.

Já ouviu histórias como essa? Eu já. Várias delas. Você certamente também.

Pois é. Histórias como essas abundam: pessoas que mudaram de ocupação e hoje ganham muito mais dinheiro.

São histórias verdadeiras e certamente inspiradoras. Não por acaso elas são frequentemente utilizadas para motivar muitas pessoas insatisfeitas com seus empregos atuais -- e estamos falando aí de pelo menos metade da força de trabalho global -- a mudarem de emprego.

O problema dessas histórias é que não sabemos se elas são representativas do que vai acontecer se você mudar de emprego. Há um "viés de sobrevivência" aqui: não escutamos as histórias de fracasso de quem mudou de emprego. Mas elas existem.

Uma evidência mais sólida do que possivelmente acontece com as pessoas que mudam de emprego, particularmente em termos de satisfação com o emprego e com o novo salário, é o artigo de Ying Zhou (Univ. de Surrey, Inglaterra) e colegas sobre o assunto.

Zhou e colegas usam os dados de painel britânico de mais de 10 mil pessoas ao longo de mais de 10 anos para analisar o que aconteceu com quem mudou de emprego.

 

Os autores separam as pessoas que mudaram de emprego em dois grupos:

- Grupo 1: pessoas que mudaram de emprego e permaneceram no mesmo tipo de ocupação;

 

- Grupo 2: pessoas que mudaram de emprego e mudaram também de ocupação.

 

As conclusões do artigo são surpreendentes. Destaco três:

1) Os dois grupos experimentam um padrão comum de satisfação ao longo da mudança: estão muito insatisfeitos antes da mudança, ficam muito contentes no início da mudança, mas depois a satisfação com o emprego vai voltando aos níveis pré-mudança. É o tal do efeito “honeymoon-hangover”.

 

2) A satisfação com o novo emprego decresce depois da fase de "lua-de-mel". Mas a queda na satisfação é muito mais pronunciada para os que mudaram de emprego mudando de ocupação!

 

3) A queda em satisfação das pessoas que mudaram de emprego indo para outras ocupações não parece ser causada por perda de renda, mas por outros fatores ligados, possivelmente, à mudança na identidade profissional, à rede de colegas e às características do próprio trabalho.

 

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

 

Esses resultados não significam que a mudança de emprego e até de carreira não possam valer a pena. Mas mostram que essas mudanças de carreira precisam ser avaliadas e planejadas com cuidado.

O gráfico acima mostra como os indicadores médios de satisfação com o salário e com o emprego mudam ao longo dos quatro anos que antecedem a mudança, no momento da mudança (período t), e nos 6 anos subsequentes.

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