Skip to main content

Como melhorar o sistema de remuneração das empresas?

14 Abril 2026

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso, mas a forma como uma economia de um país funciona é um negócio que beira o mágico: milhões de empresas produzindo e investindo sem nenhum sistema central de controle ou planejamento.

Como que isso não é um completo caos?

Hoje entendemos a razão, qual seja: o sistema de preços funciona como um guia de valoração relativa das atividades que acaba funcionando como um mecanismo de coordenação das decisões de milhões de produtores e consumidores.

Mas o que isso tem a ver com remuneração?

Tem a ver porque empresas não são muito diferentes (em espírito) de economias: elas também enfrentam o problema de alocar seus limitados recursos diante de demandas internas conflituosas.

De modo que a remuneração pode ser vista como o sistema interno de preços da empresa. Ou seja: remunerar não é apenas uma questão de compensar as pessoas pela desutilidade de trabalhar por X horas; é também, e sobretudo, uma questão de alinhar a alocação do tempo dos empregados com a alocação que vai maximizar a geração de lucro pela empresa.

É desse princípio que decorre a centralidade da "remuneração variável" (RV). Afinal, não vai ser pagando salário e benefícios que independem de desempenho que a empresa vai influenciar a alocação de esforço e energia criativa dos seus empregados na direção que deseja.

As empresas pagam altos salários a seus executivos em parte porque esperam que os mesmos façam esse trabalho de coordenação das tarefas da base até o topo da empresa. Mas "comando e controle" serão sempre substitutos imperfeitos de incentivos.

E disso decorre outro "lema": todos os cargos deveriam ter remuneração variável (salvo os casos em que o cargo não adiciona valor ou isto não é mensurável).

Aceito isto, resta a questão: como desenhar um sistema de remuneração variável? Abaixo delineio uma forma.

RV: UM SISTEMA COM PONTOS E CÂMBIO

Passo 1: determine o portfólio de tarefas de cada cargo.

Passo 2: determine o subconjunto de tarefas mensuráveis dentro desse portfólio.

Uma tarefa é mensurável se conseguimos criar uma estatística/KPI que capture o desempenho nesta tarefa.

Passo 3: determine a (estimativa de) contribuição de cada tarefa para cada unidade de valor criado pelo cargo/pessoa.

A figura ilustra como seria a curva de distribuição acumulada de contribuição de um dado cargo/pessoa. A ideia aí é colocar KPIs nas tarefas mais importantes (e.g., que adicionam 80%).

 

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Passo 4: defina a função preço dos KPIs -- quantos pontos ou unidades da moeda da empresa (Xcoin, digamos) cada unidade de KPI gera (o beta).

O passo final aí seria determinar a taxa de câmbio da Xcoin para R$, o que vai depender do lucro gerado no período de cálculo escolhido e da regra de distribuição, um assunto que retomarei em outro artigo. 

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Mais artigos

Por que esconder salários nas vagas prejudica todo mundo?

Sua empresa tem tabela salarial ou sistema de remuneração?

O gráfico que revela por que sua empresa paga mal, mesmo achando que paga bem