Todo mundo já deve ter visto que de uns anos pra cá tem crescido o número de empresas que resolveram oferecer um "prêmio" salarial para quem topa trabalhar no esquema presencial em tempo integral -- ou seja, nada de arranjos híbridos.
O negócio parece bem justo. O período pós-pandemia deixou todo mundo mais consciente dos custos de sair de casa para ir ao trabalho e eles não são poucos. Nada mais justo que se compense o empregado, ainda que parcialmente, por isso.
Mas a questão que acho mais intrigante é se as empresas que pagam esses incentivos para atrair seus empregados para o esquema presencial estão medindo e avaliando o impacto dessas iniciativas.
É óbvio -- por um argumento de preferência revelado -- que as empresas que oferecem esses incentivos sabem que o esquema presencial traz algum benefício não trivial de produtividade para elas. A questão é que isso pode não ser toda a equação.
Fiz uns rabiscos do que poderiam ser os efeitos positivos (benefícios) e negativos (custos) dessas medidas. Está na figura/tabela abaixo.
Meu chute educado é o seguinte: se a empresa tem pessoas da mesma área trabalhando em arranjos diferentes (porque uns aceitam o incentivo e outros preferem ficar no home-office), então esses prêmios salariais por trabalho in-office podem não gerar um efeito positivo líquido por conta do efeito adverso que vai ter sobre produtividade (o termo C_prod da equação acima).
Mas isso tudo é um chute. E pode bem ser que quem está pagando mais para levar o pessoal para o presencial está se dando bem o suficiente para arcar com a conta.