Skip to main content

Três razões para preferir bônus a aumentos salariais

29 Maio 2026

Dinheiro não é tudo, mas ainda é uma das formas mais efetivas de reconhecer mérito, premiar desempenho e aumentar retenção de talentos.

Mas como fazer esse reconhecimento? Eis que aqui surge um dilema comum para CEOs, qual seja:

 

🟢 oferecer aumento salarial permanente

 

ou

 

🟡 oferecer bônus?

 

Ambos terem seus méritos. Mas vou oferecer aqui três argumentos econômico-comportamentais que justificam privilegiar o bônus como ferramenta para manter equipes motivadas e focadas em entregar alta performance.

1️⃣ Esforço extra precisa de recompensa extra

Aumentos de salário mudam o nível de remuneração, mas não têm efeito algum sobre a relação remuneração/desempenho. Quando o empregado decide quanto fazer de esforço, é razoável assumir que ele ou ela vai levar em consideração quanto se ganha por esse esforço adicional; e isso é determinado pela parte variável, e não pela parte fixa da remuneração.

Logo, aumentos de salário fixo têm pouca potência de incentivo.

2️⃣ Bônus dão clareza sobre onde focar

Aumentos de salário são em geral resultados de promoções. Claro que a empresa pode usar suas promoções para gerar alinhamento.  Mas existe um risco não desprezível dessas promoções serem usadas para gerar alinhamento com a agenda de gestores, que pode nada ter a ver com os objetivos da empresa.

Daí também porque bônus são preferíveis a aumentos de salário.

Com bônus atrelados a métricas minimamente objetivas e observáveis, as equipes têm mais clareza sobre onde devem concentrar seus esforços.

3️⃣ Bônus são mais sustentáveis que aumentos

Bônus em geral é repartição de valor criado num período. De forma que ele acaba sendo autofinanciável e, portanto, com impacto menor sobre custos fixos de médio/longo prazo.

BÔNUS SALÁRIO-EQUIVALENTE

Claro que muita gente vai preferir aumento de salário -- porque, por exemplo, tem efeito cascata sobre benefícios.

Mas é possível derivar o montante de bônus que, para a empresa, seria financeiramente equivalente em valor presente a um aumento salarial. Vejamos:

Imagine que você está considerando pagar um bônus B ou aumentar o salário anual em R$ X.

Suponha que depois da promoção, e em cada ano subsequente, a funcionária pode sair da empresa com probabilidade p. Logo, ela fica na empresa com probabilidade (1-p), de modo que o aumento vai custar

dX onde d = (1-p) / (1+r), sendo r é a taxa de juro pra fins de desconto.

Um pouquinho de matemática (soma de PG infinita) nos permite ver que o valor presente (VP) desses aumentos será

X/(1-d) 

Conclusão: há boas razões para acreditar que um bônus por performance vai induzir mais desempenho do que um aumento salário, e pra qualquer aumento de salário que se considere, dá sempre para saber qual o valor máximo do bônus que tem o mesmo impacto financeiro.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Artigos relacionados


O mito da mediana: por que pagar 'o mercado' não funciona

Como escolher o modelo certo para remunerar seu time de vendas?

A armadilha das "melhores práticas"