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"A produtividade do brasileiro é baixa"

28 Maio 2026

Essa é uma frase que se escuta desde sempre. Deve deixar muita gente intrigada porque ninguém tem a sensação de que se trabalha pouco no país -- em muita empresa, a jornada de fato é bem maior do que o que está combinado no papel.

As explicações usuais quase que invariavelmente invocam as grandes mazelas nacionais: a taxa de juros, a educação, a burocracia, o custo Brasil, etc. 

Mas vou falar aqui de um outro canal (adicional) de causalidade, um canal "micro" que pouco se comenta, qual seja: como o brasileiro médio não consegue investir em treinamento e aperfeiçoamento profissional.

Pega o cara que ganha uns R$6 mil por mês -- quase o dobro da média salarial do Brasil. Como esse profissional consegue pagar, por exemplo, R$50 mil por um MBA?

É difícil.

A maioria não consegue ou acaba "shopping" por versões mais baratas de um mesmo tipo de curso.

O fato é que o discurso do “invista em você” presume uma margem que a maioria não tem.

E aqui entra uma diferença significativa entre países de alta produtividade e o Brasil.

Em economias mais ricas, qualificação profissional é tratada como investimento produtivo: gastos com educação geram créditos tributários efetivos. Parte do custo é compartilhada com o Estado via sistema fiscal e, em muitos casos, empresas financiam a formação aproveitando incentivos.

No Canadá, por exemplo, além dos créditos federais e provinciais, você recebe um crédito anual ao longo da vida que é cumulativo e pode ser usado para reembolso de despesas com educação profissionalizante.

Em casos como esse, o empregado não arca com o custo sozinho. 

No Brasil, o desenho é oposto: a dedução no IR é limitada, regressiva, e pouco útil para quem ganha menos.

Pior: os poucos incentivos existentes se concentram em cursos muito específicos de longa duração, e não na qualificação ao longo da carreira. E as empresas que não apuram imposto pelo regime de lucro real, raramente internalizam esse investimento. O resultado é que no Brasil o risco fica todo nos ombros do profissional, que vai naturalmente optar por jogar pra frente esse gasto na espera de um aumento da renda ou de empresas que banquem o investimento.

E aí é inevitável não pensar: quantos talentos no Brasil estão "presos" em empregos de baixo salário por falta de, sei lá, R$5 mil para fazer um curso ou tirar uma certificação?

Porque em muitos casos não é falta de vontade. Não é falta de esforço. É que a matemática é cruel mesmo.

E se o país não facilita a vida de quem quer se aperfeiçoar, vai continuar mesmo falando que produtividade é baixa enquanto deixa gente com enorme potencial amarrada a empregos de baixo salário.

Por isso o desenho de remuneração importa tanto. Quando ela inclui $ para desenvolvimento, a empresa não está sendo generosa, está comprando produtividade futura.

DÚVIDA

Mas tem como resolver isso sem o governo? E como proteger a empresa que investe em treinamento?

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Evolução da produtividade do trabalho em diferentes economias ao longo das últimas décadas.

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