Não é nenhuma novidade que a área de recrutamento e seleção das empresas foca, essencialmente, na triagem "pós-candidatura": seleção de currículo, estrutura de entrevista, dinâmicas e todo tipo de teste.
O objetivo, afinal, é selecionar o melhor candidato entre os que aplicaram para a vaga.
Mas é meio estranho que a fase de "pré-candidatura" seja negligenciada. E aqui estou pensando particularmente no desenho do anúncio da vaga e do contrato de remuneração.
Porque é improvável, por exemplo, que a estrutura da remuneração não tenha efeito sobre quem decide se candidatar -- supondo que essa informação seja tornada pública na fase de recrutamento.
Ou seja, a remuneração pode afetar de forma adversa o "pool" de candidatos dentro do qual o RH está selecionando. O que nos leva naturalmente à pergunta: de que adianta construir uma maquinaria para selecionar morango se na sua esteira só tem amora?
EXPERIMENTO
Suponha que uma empresa anuncie no Linkedin (em momentos diferentes) duas vagas idênticas exceto pelo contrato de remuneração que elas oferecem.
1️⃣ A Vaga 1 oferece R$10.000/mês fixo.
2️⃣ A Vaga 2 oferece R$7.000 fixo + até R$6.000 variável.
Aqui na Vaga 2, dados históricos de performance são mostrados. Os candidatos sabem que, na média, o variável fica em R$4.000, fazendo um salário total de R$11.000.
Qual vaga você acha que atrairia candidatos mais qualificados, 1 ou 2? Ou você acha que não faz diferença significativa alguma?
P.S. O gráfico é meramente ilustrativo.