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A firma como um sistema de incentivos

O artigo de Bengt Holmstrom e Paul Milgrom (1994) publicado na American Economic Review postula que incentivos de alto desempenho, propriedade de ativos e liberdade do trabalhador são instrumentos complementares na motivação de funcionários. O estudo destaca que a organização, os incentivos salariais e o controle gerencial devem ser vistos como um sistema de incentivos coeso e integrado.

Os autores, ambos laureados com o Prêmio Nobel de Economia, desenvolvem uma abordagem teórica e empírica cujos pontos principais incluem:

Complementaridade de Instrumentos: recompensas baseadas em desempenho, controle sobre a própria rotina (liberdade) e propriedade de ativos são ferramentas que reforçam umas às outras. Quando uma empresa adota altos incentivos de comissão, ela tende a também dar ao trabalhador maior autonomia e posse sobre os meios de produção.

Evidências no Setor de Vendas: o modelo teórico é testado na organização, compensação e gerenciamento de forças de vendas. Os autores demonstram por que agentes internos costumam receber salários fixos com pouca autonomia, enquanto agentes independentes operam sob comissão total e possuem maior liberdade para vender produtos de outros fabricantes.

Resolução do Problema do Multitarefa: em ambientes onde os trabalhadores realizam múltiplas tarefas (algumas mensuráveis e outras não), o design do contrato precisa equilibrar os estímulos para evitar que o funcionário direcione todo o seu esforço para a atividade com o melhor bônus em detrimento de outras responsabilidades essenciais.

Em síntese, os autores defendem que empresas deveriam desenhar sistemas de gestão em que remuneração, autonomia, supervisão e propriedade dos ativos sejam consistentes entre si. A eficácia dos incentivos depende de uma complementaridade, e não da adoção isolada de um único instrumento.

Você pode ter acesso ao texto completo do artigo através do repositório oficial da Universidade de Stanford.

Holmstrom, B., & Milgrom, P. (1994). The firm as an incentive system. The American economic review, 972-991.