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Como a política de remuneração afeta a saúde mental dos empregados e causa "burnout"?

31 Março 2026

Empresas deveriam estar focadas em consertar tudo que atrapalha a maximização de lucro; e estudos da área de psicologia industrial e psiquiatria já mostravam, há décadas, que condições extenuantes de trabalho geram perda de produção.

"NOVIDADE"

Mas foi só nos últimos dez anos que questões de saúde mental começaram a entrar no radar das empresas. O custo de problemas como ansiedade e depressão é trilionário para a economia global.

A explicação usual para os problemas mentais associados ao trabalho é usualmente limitada a três coisas: excesso de pressão, falta de reconhecimento de mérito e chefes tóxicos. Tudo isso tem mesmo seu fundo de verdade.

Mas o ponto que quero fazer neste post é que problemas de "burnout" podem ser vistos como frutos de políticas inadequadas de remuneração. Vejamos.

ESFORÇO EXIGIDO MAL REMUNERADO

"Burnout" é, por definição, excesso de esforço. Mas excesso em relação a quê?

Vamos considerar que para cada remuneração R (com fixo e variável) existe uma quantidade ótima de esforço.

[ Em um post anterior eu apontei como o empregado escolhe o nível "ótimo" de esforço. Os detalhes estão neste link aqui -> https://shorturl.at/jpEQV) ]

Vamos imaginar que existem dois tipos de empregado: "bons" e "muito bons" que diferem em um aspecto: quão custoso para cada um é fazer "esforço". Os do tipo "muito bom" fazem esforço de forma menos custosa para si mesmos.

Cada tipo pode ser representado por uma curva de "utilidade" -- essa curva representa todas as combinações de remuneração e esforço que deixam o empregado igualmente satisfeito.

No gráfico abaixo, as curvas pretas representam a utilidade de cada tipo de empregado -- o tipo "muito bom" tem curva abaixo do tipo "bom" porque faz esforço com menos custo.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

BURNOUT

O esforço ótimo do tipo "bom" com a remuneração inicial (em azul) é E** (ponto A). Suponha agora que foi exigido do tipo "bom" um esforço muito maior (E** digamos, ponto C).

Para obter o esforço exigido de forma economicamente ótima para o empregado, o empregador teria que fazer dois movimentos:

 

1) oferecer uma remuneração melhor: um fixo bem maior e um variável mais agressivo (a remuneração em roxo);

2) Mas com uma remuneração de incentivo igualmente agressiva e um fixo um pouco menor (mas ainda maior do que aquele na equação em azul), o empregador poderia contratar alguém de maior habilidade que faria o esforço exigido E**. Isto está representado na curva vermelha.

A vantagem desse arcabouço é que podemos decompor "burnout" (B) da seguinte forma:

 

B = C + R

 

onde

 

C = carga de trabalha descasada de habilidade

R = remuneração descasada de esforço exigido

 

Isso pode ser lido da seguinte forma: mesmo alguém muito habilidoso está sujeito a problemas de saúde mental se a remuneração não estiver adequada ao esforço exigido. 

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