ROTATIVIDADE DE MÃO-DE-OBRA: QUAIS AS CAUSAS E O QUE FAZER PARA DIMINUÍ-LA?
Rotatividade (ou "turnover") é o nome dado ao processo de entrada e saída de funcionários das empresas. Esse processo pode gerar várias ineficiências tanto para as empresas como para a economia como um todo.

"Pode" porque, ao contrário do que se imagina, certos tipos de rotatividade são saudáveis e desejáveis do ponto de vista econômico -- como quando, por exemplo, o empregado sai da empresa porque não é remunerado de forma condizente com sua produtividade (não é trivial medir isso...) ou quando a empresa demite o empregado para substituí-lo, nas mesmas condições, por alguém mais produtivo -- veja o gráfico abaixo.

O Brasil é um dos campeões mundiais em rotatividade. Uma grande massa de trabalhadores gira com uma alta frequência em seus postos de trabalho. Boa parte dessa rotatividade é possivelmente do tipo "disfuncional". Ou seja, é uma mudança de empregador (quando a saída é iniciada pelo empregado) ou de empregado (quando a saída é iniciada pelo empregado) que, argumentavelmente, não vai gerar ganhos para nenhuma das partes.
É uma rotatividade que apenas gera "fricção" na operação das empresas e, mais geralmente, no mercado de trabalho. Perdemos todos com isso.
CUSTOS
Essa rotatividade disfuncional é custosa porque tanto empregado quanto empregador vão incorrer numa série de custos.
A empresa vai gastar com recrutamento para fazer a reposição do empregado e perde alguma produtividade enquanto a vaga fica vazia.
O trabalhador vai perder salário enquanto estiver fora do mercado de trabalho e vai incorrer em custos de busca de um emprego em outra empresa.
São ineficiências que, em grande volume, geram efeitos agregados para toda a economia -- efeitos ruins sobre a renda.
CAUSAS
As pessoas trocam de emprego pelas mais variadas razões. Mas há duas causas importantes na explicação desse fenômeno.
A. REGULAÇÃO
Uma é o arcabouço regulatório do mercado de trabalho. A legislação trabalhista brasileira cria incentivos perversos para que nem empregadores, nem empregados, queiram manter relações muito longevas.
A multa sobre o FGTS e o risco de judicialização, por um lado, fazem com que o custo esperado de demissão de um funcionário seja crescente no tempo de permanência na empresa.
O acesso ao seguro-desemprego e ao FGTS (uma espécie de poupança forçada) cria incentivo a negociar uma demissão sem justa causa depois de 12 meses e procurar uma ocupação no mercado informal.
B. REMUNERAÇÃO E PLANO DE CARREIRA
Outra possível "força" por trás da rotatividade em geral é uma política de remuneração simplista: que remunera muito abaixo do mercado ou que não contém um componente variável que remunere o impacto do esforço em dimensões relevantes do negócio.
A falta de plano de carreira -- de modo que o empregado não vê oportunidades de crescimento profissional e salarial dentro da empresa -- também contribui para isso.