Como as restrições financeiras influenciam as decisões de demissão das empresas
E como você podeusar isso ao seu favor!
TAXA "NATURAL" DE DEMISSÃO
Mesmo em um mundo de perpétuo crescimento econômico haveria demissões. A razão é simples: nem sempre há "compatibilidade" entre as duas partes. É uma fricção natural do mercado de trabalho.
Mas no mundo real, a economia se move de forma cíclica e frequentemente muitas empresas passam por momentos de crise em que as finanças se apertam e elas precisam demitir mais do que seria "natural".
QUEM DEMITIR?
Do ponto de vista econômico, a regra geral para selecionar potenciais candidatos à demissão é clara: deve-se considerar os indivíduos com relação custo/benefício alta -- por exemplo, empregados com altos salários e numa fase de baixa produtividade relativa (em geral empregados mais seniores).
Mas o que acontece se demitir empregados mais antigos é muito mais custoso do que demitir empregados recém-contratos (por causa, por exemplo, de multas e indenizações que são proporcionais ao tempo na empresa?)
CUSTO DE DEMISSÃO
Em um estudo recente, Andrea Caggese (Pompeu Fabra) e colegas mostram evidência de como empresas com restrições financeiras (pouco caixa e disponibilidade de crédito) distorcem suas decisões de demissão, induzindo uma demissão desproporcionalmente maior de empregados recém-contratados mesmo que com alta produtividade futura esperada.
A razão é simples: as empresas com orçamento mais apertado não conseguem arcar com os custos de demissão dos mais antigos, privilegiando a demissão dos que são mais baratos de demitir -- e geral os mais juniores.
Essas restrições financeiras têm efeitos distorcivos para a empresa (que demite quem deveria reter e retém quem deveria demitir) e, obviamente, para a carreira dos mais jovens.
O trabalho usa dados de demissões de mais de 13 mil empresas suecas ao longo do período 2000-2010 (totalizando quase 100 mil observações empresa-ano).
Os resultados são relevantes para mercados de trabalho onde multas por demissão aumentam com o tempo de trabalho na empresa – o que é precisamente o caso brasileiro.
LIÇÕES PARA DECISÕES DE CARREIRA
Tomados ao valor de face, esses resultados oferecem lições sobre qual tipo de empresa trabalhar em diferentes momentos de sua carreira (tudo mais constante).
Uma lição é evitar no início da carreira empresas pequenas e com dificuldades de crédito no mercado. Empregados júniores são os mais expostos ao risco de demissão “injusta” nessas empresas. Empresas maiores seriam preferíveis por serem mais eficientes em reter os empregados júniores mais produtivos.
Uma outra lição é considerar construir uma permanência mais longa em empresas menores. Trabalhadores com mais tempo de casa estão relativamente mais protegidos contra “choques” nas firmas financeiramente restritas, já que as restrições de financiamento tendem a enfatizar uma política de demitir os com menor tempo de firma.