Trocar de emprego para aumentar salário: vale a pena?
Já vi várias vezes especialistas em carreira aconselhando as pessoas a trocarem de emprego para aumentarem de salário. Vi prometerem que o salário poderia até ser triplicado em menos de 1 ano com essa "estratégia". É um conselho de carreira no mínimo estranho. Por três razões:
1. CONFUSÃO ENTRE CORRELAÇÃO E CAUSALIDADE
Primeiro, o conselho faz confusão entre correlação e causalidade. É fato que os anos iniciais na carreira de trabalho são um período de considerável crescimento salarial. Assim como também é fato que é no início da carreira que os trabalhadores em geral experimentam maior mudança de emprego – nos EUA, por exemplo, mais de 30% das pessoas vão ter experimentado mais de 6 mudanças de emprego ao longo dos primeiros 10 anos.
Mas não é a separação em si do empregador atual rumo a outro empregador que causa o aumento do salário, mas a acumulação de melhor capital humano e de maior conhecimento sobre as empresas com quem você é um melhor “match”. A evidência sugere que os trabalhadores mais imóveis percorrem curvas de salário mais altas do que os trabalhadores que mudam com mais frequência.
2. PERDA DE GANHOS POR MELHOR MARTCHING
Segundo, que a mudança de emprego pela simples tentativa de explorar algum tipo de regra protocolar de negociação salarial (“oferecer mais do que o salário atual para atrair”) ignora as oportunidades de ganhos salariais que poderiam ser obtidos aumentos do capital humano firma-específico produzidos por experiência e treinamento. O gráfico abaixo ilustra essa ideia: a mudança de emprego te leva para um salário mais alto (da curva azul para a vermelha), mas você deixa de “acruar” os ganhos de salário de relação de emprego mais longa no emprego corrente.
3. IGNORA REAÇÃO DE RH/GESTORES À ROTATIVIDADE
Terceiro, a talvez mais importante, essa estratégia ignora que os recrutadores e analistas de RH podem reagir a esses movimentos penalizado sistematicamente candidatos com um histórico de mobilidade relativamente alta. Afinal, no ranking de candidatos a uma vaga, a empresa está tipicamente interessada na produtividade esperada líquida de eventuais custos de separação prematura. De modo que candidatos com histórico de mudança de empregos, mesmo que muito bons, podem acabar sendo percebidos como de maior risco de separação e, portanto, de menor produtividade esperada líquida.
Evidentemente existem vários padrões de mobilidade e processos voluntários de mudança de emprego que conduzem a melhorias salariais. Mas está longe de ser óbvio que a recomendação de mudança de emprego em si vai necessariamente produzir ganhos de salário (sobretudo quando fatorados os custos de busca e o impacto disso no seu trabalho corrente). Adquirir as habilidades e a experiência valoradas pelo mercado ainda é a forma mais sólida de aumentar o salário ao longo do tempo.