Como a experiência de onboarding afeta o desempenho dos empregados?
Alguns semestres atrás eu estava dando o curso de "Economia dos Recursos Humanos" na FEA (graduação de economia).
Organizei o curso para que seguisse a sequência das questões mais centrais do RH: do recrutamento e seleção, passando pela motivação através do desenho de compensação, avaliação e promoção até o processo de separação.
MUITAS DIFERENÇAS
Nessa sequência coloquei a etapa de "onboarding" logo depois do recrutamento e seleção. "Onboarding" é um tema que praticamente inexiste no material mais acadêmico, mas que me parecia de relevância grande o suficiente para justificar um tratamento mais analítico dele -- e isso é certamente um componente das várias funções do RH nas empresas.
O tópico me interessava em parte porque eu sempre tinha visto enorme espaço para melhorar o onboarding da minha própria instituição e ouvia histórias de experiências as mais variadas possíveis em outras organizações.
Soa estranho que algo vital no processo de contratação seja tratado de forma tão heterogênea -- há histórias de onboarding bem-sucedidos e desastrosos (e.g., empregados que ficaram meses sem acesso aos sistemas da empresa).
JORNADA DO ONBOARDING
Eis que na aula de ontem falamos sobre a jornada de onboarding que divido nessas seis etapas na figura abaixo.
Utilizo a teoria da autodeterminação (um modelo de determinantes da motivação) para mostrar como falhas e deficiências em cada uma dessas etapas do onboarding afeta desempenho pelo efeito que tem sobre ou a motivação intrínseca (via efeitos no senso de competência, autonomia e pertencimento) ou a motivação extrínseca (habilidade de receber alguma forma de remuneração por desempenho), ou ambas.
KPIs
Um estágio do onboarding que destaco -- porque vai se conectar com a parte de remuneração -- é a definição de KPIs.
Sem saber o que exatamente o que é esperado, como o produto do trabalho será medido e o que precisa ser feito para ser bem-sucedido dentro da organização, a motivação (via senso de competência) pode ser solapada e com isso o desempenho do empregado, produzindo mais turnover do que seria desejável.
Você conhece histórias de colegas e amigos que passaram por um onboarding bem-feito/mal-feito?