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CEOs e funcionários em geral colocariam mais esforço se fossem co-proprietários da empresa?

13 Março 2026

A resposta curta é não. Mas você não terá dificuldade em encontrar quem acredite que oferecer propriedade do negócio é uma forma ótima de remunerar empregados e sobretudo os gestores da empresa -- e até como forma de subverter o "modo capitalista" de produção. Afinal, nada alinharia mais perfeitamente o interesse deles com o interesse dos acionistas do que torná-los donos do negócio também.

 

POR QUE NÃO FUNCIONA?

Uma solução conhecida para o problema de incentivo dos gestores da da empresa envolve o seguinte: atrelar a compensação desses gestores a indicadores de performance da empresa de acordo com a informatividade desses indicadores sobre a contribuição dos gestores ao valor da empresa.

Como quotas ou ações na empresa revelam o valor da empresa mas não indicam, em si, o valor adicionado por essas pessoas, oferecer propriedade do negócio na forma de cotas e ações não seria um sinal informativo do esforço do gestor.

Um contrato dependente de participação no negócio não seria, portanto, um contrato "ótimo" do ponto de vista de oferecer os incentivos corretos para os gestores exercerem esforços.

 

OUTRAS RAZÕES

Três outras razões que podem tornar a co-propriedade uma forma fraca de incentivo:

1. Enfraquecimento do link entre esforço e remuneração:

- se o agente percebe que suas ações sobre o valor da empresa são mediadas por muitos fatores fora da sua alçada de influência, ser co-proprietário tem pouca potência de incentivo a fazer mais esforço.

 

2. Aversão a risco:

- Se os ganhos financeiros dependem agora do desempenho global da empresa, gestores e funcionários que recebem participação na empresa podem se tornar mais avessos a risco, priorizando projetos mais conservadores que podem eventualmente levar à falência da empresa.

 

3. "Free-riding":

- Como o valor da empresa depende do esforço marginal de muitos indivíduos, a co-propriedade com outros indivíduos pode na verdade criar um problema de "bem público": porque fazer esforço se não me aproprio inteiramente do retorno dele e posso confiar no esforço de outros para aumentar o valor da empresa?

 

Contratos na vida real raramente exibem essas características, privilegiando formas diretas de remuneração (e.g., bônus) desenhadas de forma a incentivar esforço incremental do valor da empresa. Vimos que há uma boa razão para isso. 

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