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Por que as empresas têm dificuldade em contratar mão-de-obra qualificada? A resposta pode estar na remuneração!

17 Março 2026

Falta mão-de-obra qualificada. Esta é a afirmação mais comum de empresários quando são perguntados sobre suas principais dores na gestão do negócio.

Não é uma queixa exclusivamente brasileira. Uma pesquisa (de opinião) da ManPower Group mostra que aproximadamente 4 em cada 5 empregadores relatam dificuldade para encontrar talentos.

Que isso seja uma reclamação brasileira é até compreensível. Afinal, o sistema público escolar é de conhecida baixa qualidade, ao ponto de funcionar como uma espécie de máquina de destruição de capital humano, que pega milhares de pessoas com grande inteligência e potencial e condena-os, por mal treiná-los e educá-los, a empregos de baixa qualificação por toda a sua vida -- não é por acaso que existem 40 milhões de pessoas no mercado informal.

Mas é estranho que isso seja uma queixa global, mesmo em regiões como a Alemanha e Hong Kong onde a força de trabalho é argumentavelmente muito bem qualificada.

Será que a remuneração (inadequada) explica ao menos parte disso? Vejamos.

 

VOCÊ CONTRATA O QUE VOCÊ PAGA

Há vários mercados dentro do mercado de trabalho. O mercado de empregados qualificados/"talentos" funciona na base da oferta e da demanda.

Se há escassez de mão-de-obra qualificada, pode bem ser o caso que essa mão-de-obra não esteja disposta a trabalhar pelos salários oferecidos. O gráfico abaixo ilustra isso (à remuneração Ro há muito mais demanda do que oferta).

Se por "mão-de-obra qualificada" as empresas querem dizer pessoas acima da média, essas pessoas vão naturalmente exigir uma remuneração compatível com sua posição relativa no mercado de trabalho.

Logo, se as empresas estão oferecendo remuneração compatível com as médias de mercado, é absolutamente normal que não consigam -- salvo um lance de sorte -- contratar empregados muito qualificados (em excesso da qualificação média do mercado).

Uma prova de como a importância da remuneração em mitigar essas dores do recrutamento é pouco compreendida é ver que muitos dos que reclamam de falta de mão-de-obra qualificada estão oferecendo pacotes de remuneração pobres -- com apenas (baixos) salários fixo e sem qualquer tipo de remuneração por desempenho.

 

TALENTO COMO POTÊNCIA REALIZADA

Talento é produto de habilidade (skills) e esforço. Não adianta contratar alguém com apenas uma dessas coisas. Se não há remuneração que compense o produto do esforço, o esforço vai ser mais baixo (no limite do aceitável, como pregam os "quiet quitters") e o "talento" observado também.

Não é, portanto, que a pessoa não tinha talento; muitas vezes ela apenas não foi adequadamente remunerada para colocar o esforço necessário para que seu talento se manifestasse. 

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