Contratar mais ou pagar melhor? O papel da arquitetura de incentivos no crescimento das empresas
Empresas diferem entre si em muitas dimensões -- o que produzem, em que setor atuam etc etc. Mas se tem algo que unifica todas elas é o desejo de crescer. Para financiar esse crescimento tipicamente precisam ter lucros. Para ter lucros precisam se tornar mais produtivas.
Para alcançar esses objetivos, acredita-se tipicamente que as empresas necessariamente precisam contratar mais pessoas -- seja para ampliar as áreas de atuação, seja para ampliar canais de venda, seja para criar novos produtos. Nessa visão, maior lucratividade e crescimento é algo que vem de dentro pra fora da empresa.
A ideia está correta, obviamente; o problema, contudo, está em pensar que essa é a única forma de promover crescimento e a forma mais barata de fazer isto.
Meu ponto aqui será o de que o capital humano da empresa -- as pessoas -- pode ser uma fonte de crescimento se a empresa tiver uma boa arquitetura de incentivos -- incentivos aqui passam pela remuneração mas também sobre as condições de trabalho.
PESSOAS CERTAS COM INCENTIVOS ERRADOS
Central nesse ponto é a questão do engajamento. Vários surveys mostram que a maior parte das pessoas está desengajada em seus empregos. Isso aparece na forma de baixa produtividade e até mesmo na forma de boicote ativo.
Nas causas apontadas para o baixo engajamento está uma remuneração insatisfatória -- não é a única, mas é a principal.
Disso segue-se naturalmente que a força de trabalho nas empresas provavelmente não está operando no seu potencial máximo. Não adiantaria, portanto, recrutar "certo" e colocar incentivos fracos/errados sobre essas pessoas -- elas vão operar aquém do seu potencial.
CHOQUE DE INCENTIVOS
O gráfico abaixo ilustra essas ideias. A curva Y mais baixa representa a produtividade da empresa. Note que ela aumenta na medida em que mais pessoas vão sendo contratadas (eu passo de Y0 para Y1 contratando T1-T0 mais pessoas).
A curva Y mais alta representa uma nova e mais alta produtividade provocada por novos incentivos. É como se a arquitetura de incentivos funcionasse como uma nova tecnologia.
Com melhores incentivos, eu conseguiria aumentar o engajamento da força de trabalho atual na empresa e obter aumento de produção sem fazer novas contratações (e assim, sob certas condições, aumentar lucratividade e crescimento).
Não faltam evidências na literatura científica de como mudanças na estrutura de remuneração são capazes de induzir aumentos de mais de 30% de produtividade.
Conclusão: vale a pena olhar para a arquitetura de incentivos sob a qual opera o capital humano dentro da organização antes de sair contratando mais pessoas.