Home office ou presencial? Estudo de campo traz evidência em favor dos arranjos híbridos
A pandemia forçou as empresas a experimentarem novas formas de trabalho. Desse cenário global surge um impasse entre empregados e empregadores: qual o arranjo ideal para ambos?
Os empregados valorizam o trabalho remoto devido à redução de custos e os benefícios de trabalhar em casa.
Os empregadores, por outro lado, tiveram sentimentos mistos, ganhando com redução de custos de escritório, mas frequentemente sem uma compreensão precisa sobre o efeito desse arranjo sobre produtividade na sua empresa.
Não por acaso, surveys mostram que boa parte dos CEOs querem o retorno ao arranjo presencial, em grande parte porque percebem produtividade como algo dependente de presença física.
Essas mudanças têm impacto significativo na vida urbana e entender seus efeitos podem conferir vantagens competitivas para muitas empresas.
EVIDÊNCIA
A evidência existente, contudo, ainda é mista e heterogênea do ponto de vista metodológico para permitir conclusões definitivas -- não só as medidas de produtividade são limitadas, como muitos benefícios e custos não são inteiramente precificados para uma análise custo-benefício mais adequada.
Mas um estudo recém-publicado por professores da Harvard Business School na "Review of Economics and Statistics" traz nova evidência que pode ajudar a direcionar o debate.
EXPERIMENTO
Os autores fazem um experimento em uma das maiores ONGs do mundo aleatorizando o número de dias em que um grupo de 130 funcionários teria que trabalhar de casa e no office da empresa em um período de 9 semanas.
A amostra é separada em três grupos de acordo com a proporção do trabalho presencial: "alto" (0-8 dias na empresa), "intermediário" (9-14 dias na empresa) e "baixo" (15+ dias no office).
O estudo avalia o impacto causal desses arranjos no padrão de comunicação por e-mail (feita por volume, anexos e análise textual desses elementos) e na qualidade (avaliada por gestores) do trabalho. Os trabalhadores no estudo são todos da área de RH no escritório central da organização em Bangladesh.
Os autores reconhecem, vale notar, que as medidas de produtividade não são as melhores, mas é o que foi possível medir. Os trabalhadores no estudo são todos da área de RH no escritório central da organização em Bangladesh.
RESULTADO
Os resultados mostram que arranjo intermediário está associado no estudo com um aumento no número de emails e na qualidade do trabalho enviado. Surveys dos participantes ao fim do estudo indicam que os trabalhadores no arranjo intermediário reportaram maior nível de satisfação e menor sensação de isolamento em relação aos demais arranjos mais "extremos".
O fato é que nunca houve tanta gente trabalhando de casa como existe hoje -- cerca de 30% da força de trabalho (dado para os EUA no gráfico abaixo).