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Como o desenho de promoções de cargo pode ter efeitos nocivos sobre o desempenho da empresa

09 Abril 2026

Uma matéria do início do ano no "Wall Street Journal" (https://rb.gy/q9idt0).

apontou que trabalhar em casa reduz as chances de promoção. Se não há evidência de desempenho inferior em relação aos trabalhadores remotos, não há justificativa para a disparidade na promoção. Isso indica peculiaridades na decisão de promoção nas empresas.

Mesmo que promoções fossem baseadas em medidas precisas de desempenho, há outros problemas na forma como elas são desenhadas. Vejamos.

FUNÇÃO DA PROMOÇÃO

Promoções tipicamente envolvem um aumento salarial associado com mudança para cargo com mais responsabilidades.

A promoção pode então ser vista como um torneio para motivar os empregados a trabalharem com mais afinco a fim de aumentarem as chances de vencerem o prêmio.

[O gráfico do lado esquerdo da figura abaixo ilustra como essas "escadas" de promoção tipicamente afetam o salário. Note que o "salto" salarial tende a ser maior no topo da hierarquia porque o "option value" do cargo -- a chance de competir por promoções mais vantajosas -- diminui quando você se aproxima do topo.]

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Veja que nesse formato, três objetivos estão amalgamados na promoção:

 

1. "Função seleção": selecionar internamente para um cargo

 

2. "Função recompensa": induzir mais esforço para vencer prêmio

 

3. "Função reconhecimento": reconhecer contribuição

 

TORNEIO PARA QUÊ?

É nesta conflação de funções que reside um potencial problema: a empresa está usando uma estrutura de torneio para cumprir funções que podem ser tratadas separadamente -- afinal, não preciso de um torneio para nenhuma dessas funções.

Torneios, porque meritocráticos em cenários esportivos, parecem inofensivos. Mas não o são. São estruturas de incentivo que, no ambiente de trabalho, podem ter efeitos adversos.

Digo "podem" porque há uma considerável literatura teórica e experimental sobre torneios e não é nada óbvio o efeito final desses arranjos sobre o produto da empresa; e não é óbvio porque há efeitos em toda a direção a depender de várias coisas:

 

- Do número de competidores

- Da estrutura da premiação (só um vence ou os N melhores?)

- Da distribuição de qualidade dos participantes

- Da informação sobre o que outros estão fazendo

- Das preferências de risco dos participantes

 

Há estudos mostrando como torneios podem gerar menos produto por causa de sabotagem (avaliar mal o colega), conluio (se unir para reduzir esforço), falta de cooperação e decisões arriscadas (para tentar compensar um desempenho inicial ruim).

Além disso, promoções, ao sinalizar para o "mercado" a qualidade dos seus empregados, aumentam o risco de perdê-los para concorrentes.

Não é o caso, claro, de acabar com promoções. Mas de repensar sua estrutura para que ela seja um ganha-ganha para empresas e para (mais) empregados. 

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