Por que sua taxa de turnover pode estar mentindo para você?
"Turnover" é o giro de pessoas em uma empresa. Ter indicadores sobre essa movimentação é crucial, não só porque alta rotatividade indica problemas na empresa, mas também porque demitir e contratar tem custos elevados.
O QUE DESCOBRI ANALISANDO AS MÉTRICAS
Apesar da importância do tema, ao analisar material público identifiquei duas inconsistências significativas nas métricas de rotatividade.
Primeiro, a taxa de turnover é calculada de forma distinta. No Brasil, captura movimentos de entrada e saída. "Lá fora", captura apenas saídas.
Para clarificar as diferenças:
C = contratações;
D = demissões;
F(t) = funcionários no período t
No Brasil: T = [(C+D)/2] / F(t)
"Lá fora": T = D / ( F(t) + F(t+1) )/2
havendo frequentemente, lá fora, uma separação entre desligamentos "voluntários" e "involuntários".
A taxa brasileira será bem maior (se C>D) ou menor (se C<D) que a internacional, sendo equivalentes apenas quando C=D e F(t)=F(t+1).
🔴 Ponto 1: A metodologia de cálculo determina completamente o resultado e sua interpretação.
FRAMEWORK: SEPARANDO TURNOVER PRODUTIVO DE DESTRUTIVO
A segunda inconsistência é essa bem mais importante: essas taxas não necessariamente medem o "turnover" que realmente importa para o negócio.
Métricas tradicionais podem ser enganadoras. Afinal, nem toda separação é prejudicial.
▶️ Proposta de framework analítico:
Considerando produtividade do empregado, defino três variáveis-chave:
a) A empresa conhece a produtividade de seus funcionários (P) e a produtividade esperada de nova contratação (P*).
b) O funcionário demitido ficaria por um aumento de compensação de valor dS.
c) O custo de recontratar é c.
Nessas condições, a demissão será "turnover" bom ou ruim dependendo da comparação entre ganhos e perdas ao substituir o funcionário.
Na figura abaixo, todos os casos possíveis:
O caso 1 representa a situação onde o funcionário demitido tem produtividade maior que (em expectativa) a nova contratação. A demissão será ruim ou boa dependendo do diferencial de produtividade versus custo de retenção.
APLICAÇÃO PRÁTICA DO FRAMEWORK
Nesse framework, a taxa de turnover tradicional pode ser decomposta como: taxa de turnover produtivo + taxa de turnover destrutivo.
🔴 Ponto 2: a taxa ideal de turnover é aquela que minimiza a componente destrutiva, independentemente da componente produtiva.
Veja que essa separação ajuda a calcular e entender a taxa de turnover que merece atenção -- que não é a "voluntária/involuntária" mas a "produtiva/destrutiva".
Essa abordagem oferece maior precisão para decisões de retenção e permite otimização de recursos em RH.