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Anúncios de vaga têm mais de 100 linhas. Só uma fala de salário.

02 Junho 2026

O típico anúncio de vaga de emprego é assim:

- 10 linhas sobre "quem somos" (contratante)

- 6 linhas sobre "o que fazemos" (contratante)

- 30 linhas sobre "quem é você/perfil" (candidato)

- 40 linhas sobre "o que você vai fazer/trazer" (candidato)

- 25 linhas sobre "cultura" (contratante)

- 20 linhas sobre "inclusão e diversidade" (contratante)

- E 1 linha sobre remuneração e pra dizer: "o salário é competitivo" (como se isso fosse trivialmente verificável)

A empresa diz que é disruptiva, inovadora, horizontalizada, moderna, etc., etc. e não consegue "bater de frente" com uma das convenções mais nocivas e ineficientes do mercado de trabalho -- a de esconder informação salarial até fases avançadas do processo de seleção.

Vários lugares no mundo abandonaram essa prática (voluntariamente e por força da lei) e não há evidência (ainda, pelo menos) de que isso tenha trazido nenhum tipo de disrupção, financeira ou de outro tipo.

Fico me perguntando o que irritaria mais a pessoa média procurando emprego e aplicando para dezenas de vagas por dia/semana e vendo esses anúncios. Seria: 

- A opacidade da informação mais importante ($), ou

- Os longos textos sobre propósito e cultura (que elas devem ler com a mesma atenção que lemos um manual de televisão...). 

Não custa lembrar: cultura não paga boleto; salário paga.

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