Anúncios de vaga têm mais de 100 linhas. Só uma fala de salário.
O típico anúncio de vaga de emprego é assim:
- 10 linhas sobre "quem somos" (contratante)
- 6 linhas sobre "o que fazemos" (contratante)
- 30 linhas sobre "quem é você/perfil" (candidato)
- 40 linhas sobre "o que você vai fazer/trazer" (candidato)
- 25 linhas sobre "cultura" (contratante)
- 20 linhas sobre "inclusão e diversidade" (contratante)
- E 1 linha sobre remuneração e pra dizer: "o salário é competitivo" (como se isso fosse trivialmente verificável)
A empresa diz que é disruptiva, inovadora, horizontalizada, moderna, etc., etc. e não consegue "bater de frente" com uma das convenções mais nocivas e ineficientes do mercado de trabalho -- a de esconder informação salarial até fases avançadas do processo de seleção.
Vários lugares no mundo abandonaram essa prática (voluntariamente e por força da lei) e não há evidência (ainda, pelo menos) de que isso tenha trazido nenhum tipo de disrupção, financeira ou de outro tipo.
Fico me perguntando o que irritaria mais a pessoa média procurando emprego e aplicando para dezenas de vagas por dia/semana e vendo esses anúncios. Seria:
- A opacidade da informação mais importante ($), ou
- Os longos textos sobre propósito e cultura (que elas devem ler com a mesma atenção que lemos um manual de televisão...).
Não custa lembrar: cultura não paga boleto; salário paga.