Qual o problema mais destrutivo e mais silencioso dentro das empresas?
É o chamado "problema de agência".
O que é isso?
Para entender, vamos começar pelo óbvio: toda vez que um funcionário decide fazer A e não B, está tomando decisões com o dinheiro dos outros -- seja o dono, os contribuintes ou os acionistas.
Se ele não está genuinamente alinhado com os interesses da empresa, é quase uma consequência lógica que os recursos da empresa não vão ter o melhor uso possível.
O que garante esse alinhamento? A visão convencional é que um mix de três coisas resolvem isso:
1) o risco de demissão
2) supervisão
3) "cultura"
Mas não falta evidência de que essa visão está um bom tanto enganada. Todo mundo já viu gestores construindo equipes maiores do que o necessário porque headcount é status ou boicotando bons funcionários porque se sentem ameaçados.
Esses comportamentos não existem porque as pessoas são ruins. Existem porque a arquitetura de incentivos da empresa permite.
"Tá, mas como resolve?" Recriando essa arquitetura.
E aí a remuneração variável (RV) tem papel chave nisso. Não como complemento de salário fixo, mas como mecanismo de alinhamento de interesses.
E aqui cabe perguntar: por que a maioria das empresas só usa RV para as áreas comerciais e o C-level?
Seria porque não se sabe como eles contribuem com a receita da empresa? Porque é como se o problema de agência não existisse no financeiro, no marketing, no RH, na operação etc, o que é obviamente absurdo.
Infelizmente, esse problema existe em todas as áreas e não desaparece com demissão, "micromanagement" ou cultura forte.
É aqui que entra o papel do arquiteto de remuneração: o profissional que entende a estratégia da empresa, deriva os objetivos e alinha o que cada cargo faz com esses objetivos -- sabendo o que incentivar, o que desincentivar e como fazer isso de forma financeiramente sustentável.
Treinar esse profissional é a parte fácil.
A parte difícil é convencer as empresas de que boa parte do segredo do crescimento, a partir do ponto onde elas estão, não está nas ferramentas -- de AI ou qualquer outra -- nem em quanto gastam, mas em como as pessoas que já contrataram são remuneradas.