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Qual o problema mais destrutivo e mais silencioso dentro das empresas?

10 Junho 2026

É o chamado "problema de agência".

O que é isso? 

Para entender, vamos começar pelo óbvio: toda vez que um funcionário decide fazer A e não B, está tomando decisões com o dinheiro dos outros -- seja o dono, os contribuintes ou os acionistas. 

Se ele não está genuinamente alinhado com os interesses da empresa, é quase uma consequência lógica que os recursos da empresa não vão ter o melhor uso possível.

O que garante esse alinhamento? A visão convencional é que um mix de três coisas resolvem isso: 

1) o risco de demissão

2) supervisão

3) "cultura"

Mas não falta evidência de que essa visão está um bom tanto enganada. Todo mundo já viu gestores construindo equipes maiores do que o necessário porque headcount é status ou boicotando bons funcionários porque se sentem ameaçados.

Esses comportamentos não existem porque as pessoas são ruins. Existem porque a arquitetura de incentivos da empresa permite.

"Tá, mas como resolve?" Recriando essa arquitetura.

E aí a remuneração variável (RV) tem papel chave nisso. Não como complemento de salário fixo, mas como mecanismo de alinhamento de interesses.

E aqui cabe perguntar: por que a maioria das empresas só usa RV para as áreas comerciais e o C-level? 

Seria porque não se sabe como eles contribuem com a receita da empresa? Porque é como se o problema de agência não existisse no financeiro, no marketing, no RH, na operação etc, o que é obviamente absurdo.

Infelizmente, esse problema existe em todas as áreas e não desaparece com demissão, "micromanagement" ou cultura forte.

É aqui que entra o papel do arquiteto de remuneração: o profissional que entende a estratégia da empresa, deriva os objetivos e alinha o que cada cargo faz com esses objetivos -- sabendo o que incentivar, o que desincentivar e como fazer isso de forma financeiramente sustentável.

Treinar esse profissional é a parte fácil. 

A parte difícil é convencer as empresas de que boa parte do segredo do crescimento, a partir do ponto onde elas estão, não está nas ferramentas -- de AI ou qualquer outra -- nem em quanto gastam, mas em como as pessoas que já contrataram são remuneradas.

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