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Práticas de remuneração e a baixa produtividade da economia brasileira

16 Junho 2026

Quase todo mundo já se perguntou por que o Brasil não é um país com alta renda per capita. Para contexto, o Brasil tem cerca de US$12 mil per capita enquanto o G7 tem média de US$70 mil.

Embora pensemos em grandes explicações para a renda baixa do Brasil, é bom tentar ver como essas coisas podem originar nas ideias das pessoas e seus reflexos nas práticas das empresas.

Peguemos o caso das práticas de remuneração. Uma hipótese que vou aventar aqui é que a forma como as empresas remuneram seus funcionários contribui para a baixa produtividade brasileira -– e não estou falando de pagar pouco.

A ideia é simples: salário não serve só para remunerar trabalho. Funciona também como mecanismo de alocação de capital humano que sinaliza três coisas centrais para a economia:

i) competências têm valor,

ii) onde vale investir em educação,

iii) quais setores atraem os melhores talentos.

Quando a diferenciação salarial é comprimida dentro das empresas, esse mecanismo sinalizatório falha.

"Ah, mas por que seria comprimida? "

Porque quando uma empresa vê remuneração apenas como custo a ser achatado, a desenha com lógica de controle de custo, não de recompensa por competência e criação de valor. Daí emergem práticas como pagar apenas remuneração fixa ou pré-fixar variável mesmo quando determinadas pessoas geram impacto desproporcional.

Nessas empresas -- e há milhares delas -- premia-se a estabilidade e equidade interna, não a criação efetiva de valor.

Isso tem consequências para a economia.

Quando o retorno para excelência é baixo, dois efeitos perversos ocorrem simultaneamente:

i) Menos pessoas investem para atingir desempenho muito acima da média; 

ii) Fuga de talentos: pessoas capazes deixam essas empresas e migram para ambientes onde o retorno é maior (empresas no exterior, empreendedorismo etc).

Com muitas empresas operando assim, o país especializa-se em setores onde talento excepcional importa menos. No longo prazo, isso aparece como "baixa produtividade".

A maioria das pessoas pensa em produtividade como "trabalhar mais". Mas economias ricas crescem porque colocam pessoas capazes nos lugares certos, com incentivos fortes à criação de valor. Se o sistema remuneratório não diferencia suficientemente, reduz-se a capacidade da economia de alocar talentos onde terão impacto e estimular aquisição de conhecimento.

Para testar essa hipótese, verifiquei a relação entre dispersão salarial e produtividade. Como mostra o gráfico abaixo, setores com maior dispersão salarial têm maior produtividade do trabalho!

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É uma análise que precisa ser aprofundada. Mas veja que, diferentemente de muitos dos nossos desafios estruturais, esse é um problema que as próprias empresas podem resolver hoje.

Porque parte da riqueza que o Brasil procura pode estar escondida não em grandes reformas, mas em como decidem remunerar quem as constrói.

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